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Espetáculo “COLÔNIA” discute pelo teatro as lógicas manicomiais e o holocausto brasileiro

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Espetáculo “COLÔNIA” discute pelo teatro as lógicas manicomiais e o holocausto brasileiro

COLÔNIA

Local: Inbox Cultural
Rua Teodoro Sampaio, n 2355 – Sobreloja- Pinheiros – São Paulo/SP
Temporada: Estreia dia 05/8 a 27/08. Sextas e sábados às 21h
E-mail: mp.haddad@hotmail.com – alines.meira@gmail.com

 

RELEASE DO ESPETÁCULO

A partir de relatos e documentos sobre o Hospital Psiquiátrico de Barbacena, mais conhecido como “Colônia”, e de tantos outros manicômios do Brasil, o espetáculo homônimo discorre sobre a opressão vivida por milhares, dentro e fora do cárcere. Na maioria dos casos, sem diagnóstico de doença ou deficiência mental, pessoas eram levadas pelos chamados “trens de doido” até o hospital. Pessoas indesejadas pela sociedade que partiam para uma viagem, muitas vezes, sem volta. Estamos tão distantes desta realidade? Ou o “Colônia” ainda existe aqui e agora, sem os muros?

DRAMA / 70 MIN / R$40-R$20 / 16 ANOS
Dramaturgia de Bruno Felix, Thaíza Gazelli e Thiago Leão. Direção Daniel Falcão. Assistente de Direção Carlos Valle. A partir de relatos e documentos sobre o Hospital Psiquiátrico de Barbacena, mais conhecido como “Colônia”, e de tantos outros manicômios do Brasil, o espetáculo homônimo discorre sobre a opressão vivida por milhares, dentro e fora do cárcere. 70 min. Inbox Cultural – Teodoro Sampaio, n 2355 – Sobreloja- Pinheiros, metrô Faria Lima. R$ 40 – R$ 20 até 27/08. Classificação 16 anos

 

Ficha Técnica
Dramaturgia: Bruno Felix, Thaísa Gazelli e Thiago Leão Direção: Daniel Falcão e Higor Lemo Assistente de Direção: Carlos Valle Preparação de elenco: Marjorie Serrano Cenografia: Nina Simão e Denise Fujimoto Iluminação e Operação de Luz: Dri Rodrigues Figurino e Maquiagem: Fernanda Correia e Taisa Lira Trilha Sonora: Eberhard Stehling Operação de Áudio: Daniel Falcão Fotografia: Carlos Valle Arte: Taisa Lira Produção: Breno Borges, Mariana Haddad e coletivo Elenco: Ana Bornia, Bruno Felix, Carol Zanola, Eberhard Stehling, Higor Lemo, Ingrid Arruda, Jhonatan Hoz, Laiza Fernanda, Lara Lah, Mariana Haddad, Marina Vitti, Milton Aguiar, Rafael Tesoto, Taisa Lira, Tania Brigantini e Thiago Leão.

Observações

– Chegue cedo! A partir das 20h, o espaço estará com bar em funcionamento e pequena “mostra” temática. – Ingressos para os dias 05, 06, 12 e 13 de agosto, serão vendidos exclusivamente pelo elenco ou através do email “ciasapataria@gmail.com” (verificar disponibilidade). Nas demais datas de apresentação, estarão disponíveis também na bilheteria do teatro, que abre nos dias de espetáculo, às 20h (sujeito à lotação).

+ informações:facebook.com/ciasapataria ou no link do evento https://www.facebook.com/events/1614458718866869/

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Estudante evita linchamento no Rio de Janeiro

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Estudante evita linchamento no Rio de Janeiro

Fonte: jornalggn – Luis Nassif Online (http://jornalggn.com.br/luisnassif)

Do O Globo

No Rio, estudante evita linchamento de ladrão
 
Intervenção de jovem interrompeu agressão até chegada da polícia

“Eu me confrontei com animais”. Foi assim que a estudante de arquitetura Mikhaila Copello, de 22 anos, definiu o que presenciou e viveu na noite da última terça-feira na Freguesia, bairro da Zona Oeste do Rio, um dia depois da morte de Fabiane Maria de Jesus, vítima de linchamento em Guarujá. Sozinha, ela evitou que a ira de um grupo de moradores da região matasse um jovem que acabara de roubar um celular.

Por volta das 19h30, sentada em um bar, ela ouviu os gritos de “pega ladrão”. O ladrão, um jovem branco, parrudo, baixo, de cabelos pretos, foi cercado no alto de uma ladeira e, ao tentar correr do garoto que o havia denunciado, levou uma rasteira.

— O que gritava deu um chute no pé dele e ele voou de cara no chão. Abriu o supercílio, rasgou a testa, o joelho, e, nesse momento, eu falei para a minha amiga: segura as coisas que estou indo lá. Quando olhei para trás, o garoto estava chutando a cabeça dele com muita raiva, gritando “bandido de merda”. Entrei na frente e gritei “Para com isso”. Puxei o cara pela camisa e coloquei na parede. Ele estava totalmente desnorteado. Foi aí que comecei a ouvir “mata”, “tem que deixar morrer”, e até o clássico “bandido bom é bandido morto”. E eu gritava “vocês não são Deus, não podem julgar quem morre e quem vive” — contou a estudante ao GLOBO.

Ela disse que foi pedir ao garçom do bar um pano para limpar o sangue do jovem, mas foi interpelada por um dos presentes, com um cachorro.

Segundo Mikhaila, depois de meia hora a polícia chegou.

— O PM entrou e disse: “Se gosta de bandido, leva pra casa”. E todo mundo bateu palma. Algemaram o cara, que me olhou nos olhos e disse: obrigado. Comecei a chorar compulsivamente.

Crime: Roubar. Punição: Sequestro, tortura e morte

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Crime: Roubar. Punição: Sequestro, tortura e morte

Leonardo Sakamoto 12/05/2014 16:48

Torturar e matar alguém por alguns pacotes de bolachas? Assassinar alguém pelo furto de coxinhas? Mandar alguém para a cadeia por subtrair chicletes? O caso de uma manicure que foi sequestrada, torturada por três horas e morta por ter supostamente roubado R$ 27 mil de uma casa, em Osasco, na Grande São Paulo, é mais um capítulo sobre os limites da irracionalidade de pessoas e instituições.

A Polícia Civil afirmou que a versão inicial – de que Ane teria morrido pelo furto de um pacote de biscoitos – mudou. Segundo o delegado Itagiba Franco, a razão teria sido o furto de R$ 27 mil de um dos três acusados de terem participado do assassinato. Daí corrigi a informação aqui no blog.

Particularmente, acho que a mudança de versão é interessante, pois cria outro debate importante: valores mais altos mudam a nossa leniência para com os justiceiros?

“Ah, mas bandidos também fazem isso com pessoas.” O argumento é de uma ignorância infantil, pois a partir do momento em que passarmos todos a agir como eles, e deixar de tentar corrigir e fortalecer as instituições, a sociedade como a conhecemos deixa de existir. Daí, é o salve-se quem puder.

Ninguém está defendendo quem comete crimes. O que está em jogo aqui é que tipo de Estado e de sociedade que estamos nos tornando ao acharmos que Justiça com as próprias mãos é solução e punições severas para crimes ridículos (mesmo reincidentes) têm função pedagógica.

Mas isso não é novidade. Este blog já falou do assunto um rosário de vezes, como no caso do garoto preso a um poste no Rio.

O problema é que, no fundo, coisas valem mais que a vida. Do lado dos “bandidos”. Do lado dos “mocinhos”.

Com o caso de Osasco, atualizei minha relação de punições idiotas:
1. Ane Kelly – Sequestrada, torturada e assassinada porque teria roubado dinheiro em Osasco (SP). A tortura foi gravada em vídeo.

2. Uma pessoa em situação de rua foi linchado pelo dono de um supermercado, seus empregados e moradores do bairro, em Sorocaba (SP), após frutar um xampu nesta quarta (26). Ele estea internado com afundamento no crânio.

3. Um homem em situação de rua foi espancado pelo dono de um supermercado, seus empregados e moradores, em Sorocaba (SP), após furtar um xampu nesta quarta (26). Ele está internado com afundamento do crânio.

4. Sueli – Condenada pelo roubo de dois pacotes de bolacha e um queijo minas em uma loja.

5. Ademir – Assassinado por ter furtado coxinhas, pães de queijo e creme para cabelo de um supermercado. O pedreiro foi levado a um banheiro, agredido com chutes, socos e um rodo e deixado trancado, definhando. Morreu por hemorragia interna e traumatismos.

6. Valdete – Condenada a dois anos de prisão em regime fechado por ter roubado caixas de chiclete. Teve um habeas corpus negado pelo Supremo Tribunal Federal, pois o princípio da insignificância não se aplicaria, afinal não era para saciar a fome.

7. Franciely – Acusada de ter roubado duas canetas mesmo após ter mostrado o comprovante de pagamento por ambas em um hipermercado.

8. Rafael – Condenado a cinco anos de prisão por carregar pinho sol e água sanitária durante as manifestações de junho. O Ministério Público e a Justiça consideraram que o catador de material reciclável iria fazer um coquetel molotov.

9. Maria Aparecida – Mandada para a cadeia por ter furtado um xampu e um condicionador em um supermercado. Perdeu um olho enquanto estava presa.

10. Walter – Espancado em uma cela para que confessasse o furto de uma máquina de lavar do desembargador Teodomiro Fernandez, crime que ele não cometeu. Cuspindo sangue, pediu pediu que o magistrado fizesse o investigador de polícia interromper a sessão de tortura. “Ele vai parar, quem vai bater agora sou eu”, foi a resposta.

11. Januário – Espancado por cinco seguranças, durante 20 minutos, no estacionamento de um hipermercado. Acharam que o vigilante estava roubando o próprio automóvel.

Justiça suspende reintegração de terreno ocupado pela ‘Copa do Povo’

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Justiça suspende reintegração de terreno ocupado pela ‘Copa do Povo’

Fonte: Brasil de Fato

Estados do Brasil: São Paulo

Danilo Ramos/RBA

Sem-teto acampados em área próxima ao Itaquerão conseguiram duas semanas para organizar ocupação e preparar-se para reunião de negociação com proprietários e Justiça

09/05/2014

Por Rodrigo Gomes

Da Rede Brasil Atual

O juiz da 3ª vara da Fazenda Pública, Celso Maziteli Neto, suspendeu a liminar de reintegração de posse contra a ocupação Copa do Povo, na noite de ontem (8), após pedido de reconsideração do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). Também foi marcada uma audiência de conciliação para o dia 23 de maio, entre o movimento, os proprietários da área, em Itaquera, na zona leste da capital paulista, e a Justiça. A liminar de reintegração de posse foi concedida no último dia 7 e não foi revogada, mas teve a aplicação adiada.

A ocupação do terreno privado no Parque do Carmo, zona leste da capital, foi iniciada na madrugada do último sábado (3). Cerca de quatro mil pessoas estão no local, que pertence a Inpar Projeto Ltda e tem cerca de 150 mil metros quadrados de área. O espaço fica a menos de quatro quilômetros do Itaquerão, estádio do Corinthians que receberá a abertura da Copa do Mundo de 2014.

Ontem à tarde, militantes do MTST se reuniram com a presidenta Dilma Rousseff e com o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, ambos do PT, para discutir uma ampliação do atendimento do programa Minha Casa, Minha Vida na capital paulista para atendimento da demanda dos movimentos de moradia. A reunião ocorreu minutos antes de Dilma visitar as obras do Itaquerão.

O MTST também pediu que o governo federal avaliasse a intervenção numa possível desapropriação do terreno. A hipótese foi descartada em seguida por Haddad, que disse não haver débitos dos proprietários com o município. Mesmo assim, o prefeito afirmou que trabalharia pelo diálogo entre as partes.

Também no dia de ontem, pela manhã, grupos de sem teto ocuparam as sedes de três empreiteiras – a Andrade Gutierrez, OAS e Odebrecht – na capital paulista e, aliados ao Movimento Resistência Urbana, realizaram manifestações em diversas cidades do país.

O objetivo das mobilizações foi denunciar os “gastos abusivos” e “efeitos antipopulares” da Copa, além de cobrar, das três esferas de governo, “medidas que deixem um efetivo legado da Copa para a maioria trabalhadora do país.”

Der Spiegel adverte para os riscos da Copa 2014

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Der Spiegel adverte para os riscos da Copa 2014

Fonte: Estado de S.Paulo

11 de maio de 2014 | 21h54

SÃO PAULO – A revista semanal alemã “Der Spiegel” trouxe reportagem de capa neste domingo, 11, sobre os riscos da Copa 2014 no Brasil. A imagem da capa é uma bola oficial ‘Brazuca’ pegando fogo como um meteoro enquanto despenca sobre o Rio de Janeiro.

Capa da Der Spiegel: a Brazuca despenca

sobre o Rio de Janeiro

 

Faltando quatro semanas para o início da competição, segundo a revista, crescem os protestos contra a corrupção, desperdício de dinheiro público e contra a Copa do Mundo da FIFA.

Segundo a revista, há ameaças de greves e riscos de distúrbios. O repórter Jens Güsling fala sobre o noticiário repleto de cenas de violência. A revista destaca a destruição recente de 400 ônibus no Rio e os protestos dos sem-teto que bloqueiam o trânsito em São Paulo e outras manifestações do gênero em várias capitais.

A revista narra também o clima de descontentamento com a situação econômica, a insegurança, o atraso das obras de infraestrutura, educação e saúde.

O gasto de R$ 10 bilhões com 12 novos estádios também é citado na revista, que destava a previsão de lucro de R$ 10 bilhões da Fifa, sendo R$ 6,5 bilhões com direitos de transmissão e R$ 3,5 bilhões venda de direitos de imagem.

O escritor mineiro Luiz Ruffato, entrevistado pela Der Spiegel, fala sobre o uso político da Copa em ano de eleição.“Assim como na ditadura em 1970, assim é agora. No começo se dizia que a Copa do Mundo da FIFA traria muitos benefícios para o povo e para as cidades-sede porque haveria grandes investimentos na infraestrutura. Agora vemos que praticamente não houve investimentos em infraestrutura, mas em compensação foram construídos estádios que ninguém precisa, que o dinheiro público foi desperdiçado e que houve oportunidade para mais corrupção.”

derspiegel

A equipe da revista visitou a favela do Jacarezinho, no Rio, onde o fundador da ONG Rio de Paz, Antonio Carlos Costa, disse ser a favor das manifestações durante a Copa. “Nós não vamos ganhar nada com esta Copa. Nada vai mudar para nós.”

A revista afirma que a esperança do governo brasileiro e da FIFA é que a seleção brasileira conquiste o povo e alcance o “hexa”. Assim, o clima de insatisfação poderia terminar em Carnaval.

Seminário Internacional “E o povo foi às ruas… Repensando o papel dos partidos políticos”

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Seminário Internacional “E o povo foi às ruas… Repensando o papel dos partidos políticos”

Evento com o propósito de promover, com especialistas, representantes de movimentos sociais, partidos políticos nacionais e internacionais, uma leitura do fenômeno das manifestações populares ocorridas no país desde junho de 2013, à luz da crise das instituições na democracia representativa contemporânea.

 Inscreva-se

Tendo em vista a crescente desconfiança nas instituições políticas, e na esteira de manifestações populares com objetivos diversos, entre eles o Ocuppy Wall Street e a chamada Primavera Árabe, a Liderança do PDT na Câmara dos Deputados, apoiada pelos demais líderes partidários da Casa, realiza o Seminário Internacional “E o povo foi às ruas… Repensando o papel dos partidos políticos” para ouvir movimentos sociais, especialistas e representantes dos partidos nacionais e internacionais para que possam, em amplo debate, buscar respostas para o fenômeno mundial.

Entre os palestrantes, estão o secretário-geral da Internacional Socialista, Luis Ayala; a diretora-fundadora do instituto de opinião pública Latinobarómetro, Marta Lagos, que promove renomada pesquisa de opinião sobre as percepções dos cidadãos em relação à democracia e suas instituições na América Latina, e que subsidia a maior pesquisa mundial do gênero (World Values Survey); e a representante do partido trabalhista inglês, Ministra da Educação do Gabinete Paralelo Paralelo, Rushamara Ali.

O evento contará ainda com a presença de representantes dos movimentos sociais, como Pablo Capilé (Mídia Ninja/Fora do Eixo ), Jovita Rosa (Movimento contra a Corrupção Eleitoral -MCCE), além de especialistas, como o cientista político Humberto Dantas, analista político da Rádio Estadão.

Requerente:  Dep. Vieira Da Cunha

Telefone:  3215-9708

Programação

26/05/2014 08:00 às 19:00 – Auditório Nereu Ramos
08:30 – Credenciamento
09:00 – Solenidade de Abertura

Presidente da Câmara dos Deputados, Dep. Henrique Eduardo Alves.

10:00 – Painel 1: O que dizem os movimentos sociais e a juventude dos partidos

Moderador: Jornalista Lasier Martins
Palestrantes: 
Pablo Capilé (Fora do Eixo/Mídia Ninja); 
Diretora do MMCE (Movimento Contra a Corrupção Eleitoral), Jovita Rosa; 
Representante da Juventude dos Partidos, Luiz Marcelo Camargo.

11:00 – Abertura para perguntas do público presente e pelo canal e-democracia
12:00 – Intervalo para almoço
14:00 – Painel 2: O que dizem os especialistas (no Brasil e no exterior)

Moderador: Senador Cristovam Buarque
Palestrantes: 
Marta Lagos, Diretora do Latinobarómetro (Chile); Prof. Elimar Nascimento (CDS/UnB);
Prof. Alfredo Pena-Vega, sociólogo, pesquisador da École des Hautes Études en Sciences Sociales (Paris/França).

15:00 – Abertura para perguntas do público presente e pelo canal e-democracia
16:00 – Intervalo
16:30 – Painel 3: O que dizem os partidos políticos

Moderador: Deputado Vieira da Cunha
Palestrantes: 
Secretário-Geral da Internacional Socialista, Luis Ayala; 
Representante do Partido Trabalhista Britânico, Ministra da Educação do Gabinete Paralelo, Rushanara Ali;
Representantes dos partidos brasileiros.

17:30 – Abertura para perguntas do público presente e pelo canal e-democracia
18:00 – Conclusão e encerramento

Banalização de linchamentos é reflexo de sociedade individualista

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Banalização de linchamentos é reflexo de sociedade individualista

Fonte: Vermelho.org

7 de maio de 2014 – 16h53

Desde o dia 31 de janeiro, quando um adolescente de 15 anos foi torturado e preso a um poste na Zona Sul do Rio de Janeiro por “justiceiros” que o acusavam de furto, inúmeros casos parecidos se alastraram pelo país. A “justiça com as próprias mãos” se tornou uma prática comum, a questão é que os tais “justiceiros” não estão sendo investigados e punidos pelos crimes que cometem.

Por Mariana Serafini, do Vermelho

Duas semanas após o caso do Rio de Janeiro, um jovem de 26 anos, acusado de assalto, foi espancado e preso a um poste em Itajaí (SC); no dia 26 de fevereiro mais um caso foi registrado em Belo Horizonte (MG) e dia 17 de abril outro rapaz de 18 anos foi amarrado a um poste e açoitado com fios de energia elétrica pela população no interior de Minas Gerais.
Mas a “justiça com as próprias mãos” vai além. Nos últimos dois meses, três pessoas inocentes foram assassinadas em “linchamentos coletivos”, acusadas de crimes que não foram comprovados. O caso mais recente é o do Guarujá, onde Fabiane Maria de Jesus, de 33 anos, foi espancada até a morte pela população depois de ter sido identificada pela página de notícias do Facebook Guarujá Alerta como sequestradora. Não havia denúncias de sequestro registradas na cidade.

Mas antes de Fabiane, outros dois homens já haviam sido assassinados de forma semelhante no Espírito Santo. O jovem Alailton Ferreira, de 17 anos, foi morto em um espancamento coletivo. A acusação contra ele era de estupro, mas também não havia registro das denúncias. Marcelo Pereira da Silva, de 31, também acusado de estupro, foi assassinado da mesma forma. As supostas vítimas foram submetidas a exames no Departamento Médico Legal e o crime não foi comprovado.

Todos estes casos foram divulgados pela imprensa, principalmente jornais e sites locais. Um ponto comum entre eles é que os responsáveis pelos linchamentos são tratatados como indivíduos que precisaram fazer “justiça com as próprias mãos” devido ao sentimento de impunidade e insegurança. Em raros momentos cobra-se da Justiça a identificação e punição dos agressores que torturaram e mataram pessoas inocentes. Destes sete casos relatados, apenas o de Fabiane tem tido um tratamento diferente.

O Portal Vermelho conversou com o coordenador de Direitos Humanos do PCdoB, Jamil Murad, para saber como esta situação social deve ser encarada. Jamil acredita ser impossível “voltar aos trilhos da civilização se não houver condenação destes criminosos”.

Para ele, é importante que a sociedade se dê conta de que estes justiceiros são, na verdade, criminosos e se sinta tão agredida quanto as vítimas dos linchamentos. “A lei impede qualquer atitude contra a vida, sem saber se a vítima é responsável por algum crime ou não, sendo assim, essas pessoas que cometem esses linchamentos devem ser punidas pela lei.”

De acordo com Jamil, a violência coletiva generalizada é um reflexo da profunda crise que o sistema capitalista enfrenta. Ele recorda que durante a depressão econômica de 1929 – a maior registrada até então – a sociedade teve um comportamento parecido. Quando a insegurança e o egoísmo imperam a barbárie se torna a regra.

“Estamos vivendo o fim da solidariedade”, afirma Jamil. Ele explica que é em períodos como o vivido atualmente, onde o capitalismo passa por uma crise estrutural profunda, que o individualismo é mais acentuado, propositalmente. “Cria-se um clima de insegurança e reforça-se o racismo e todo tipo de preconceito porque o individualismo extremo é um dos princípios do neoliberalismo.”

Ele acredita que os setores reacionários e ultraconservadores de direita são os mais interessados neste sentimento generalizado de insegurança. “Ao se ter uma intensa divulgação dessas barbáries, a sociedade fica intimidada e se torna uma presa fácil para o discurso da direita [de proteção individual e redução do Estado].”

“Neste clima de insegurança total a direita sempre leva a melhor”, avalia. Para ele, estes são os momentos onde os retrocessos democráticos começam a ganhar espaço. “Esse setor reacionário apoia as ditaduras, por exemplo.” A sensação de insegurança faz com que o individualismo ganhe corpo.

Mas a discussão vai além, para Jamil, isso faz parte de uma tática imperialista imposta por países dominantes, ele cita os Estados Unidos como exemplo. “O neoliberalismo depende de guerras, ocupações de países, tomadas de riquezas naturais e energéticas, do estímulo da ‘lei do mais forte’ para se manter”, avalia. “Os países imperialistas enfrentam uma profunda crise e por isso estimulam a economia de guerra.”

Para ele, a imprensa que segue a agenda imposta por este sistema, tem o papel de acentuar a instabilidade e a insegurança para aumentar o egoísmo e o individualismo que levam a sociedade a agir naturalmente diante de um clima de guerra posto. “São países que vivem de guerras, e a guerra individual onde as pessoas ao se sentirem inseguras consomem armas para se proteger também faz parte deste processo”, explica.

Diante deste quadro, Jamil acredita que a sociedade deve restabelecer a solidariedade e a coletividade. Os responsáveis pelos linchamentos coletivos devem ser identificados e punidos como criminosos. Quanto à imprensa, precisa ser regulamentada e penalizada por incentivar a barbárie. Por isso, para Jamil, o debate está diretamente ligado à democratização dos meios de comunicação. Ele acredita que a sociedade não pode aceitar com naturalidade que concessões públicas sejam utilizadas como propagadoras da barbárie por empresas de comunicação que continuam impunes.