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Resposta à matéria “Apelo de pais de dependentes de drogas ao presidente Temer”

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Resposta à matéria “Apelo de pais de dependentes de drogas ao presidente Temer”

Defesa dos CAPS AD, dos direitos humanos e do SUS.

É preciso salientar que a defesa explícita do, agora, Ministro Interino (golpista) Osmar Terra é contraditório com a defesa dos usuários de serviços de saúde, já que esse, historicamente, posicionou­se contrário a movimentos sociais, políticas públicas de inclusão social, contra o combate da pobreza e distribuição de riquezas e terras. Devemos repudiar a utilização da incompreensão e angústia de familiares, em prol de interesses privados e precarização do SUS, pela camada minoritária, conservadora, reacionária e mantenedora histórica de riquezas do poder político e econômico.

O cuidado de pessoas com sofrimento psíquico decorrente do uso e abuso de álcool e outras drogas deve contemplar toda a complexidade que envolve a questão. Todos os danos infringidos a essas pessoas devem ser considerados para que o tratamento seja eficiente e efetivo. O cuidado de pessoas com sofrimento psíquico decorrente do uso e abuso de álcool e outras drogas deve contemplar toda a complexidade que envolve a questão. Todos os danos infringidos a essas pessoas devem ser considerados para que o tratamento seja eficiente e efetivo. O cuidado na RAPS e, mais especificamente, nos CAPS álcool e drogas visa a atenção integral do usuário, contemplando a história de vida, vulnerabilidade do território adstrito, estrutura e conflitos familiares, modo de inscrição na sociedade,  violência e segregação social, etc.

O cuidado oferecido nos serviços CAPS Álcool e Drogas é integral,. O cuidado à família é parte fundamental e indissociável da atenção ao usuário. Os grupos de cuidado da família, tal como atendimentos familiares individualizados e visitas domiciliares, de acordo com o Projeto Terapêutico Singular que considera cada sujeito como único, assim como sua história de vida específica. O cuidado em liberdade, como preconizado na lei 10216/2001, garante que cada pessoa possa enfrentar os elementos de seu sofrimento, buscando o bem estar, que só pode ser realizado, verdadeiramente, no convívio com o outro, incluindo o resgate de suas relações com a própria família, sua rede social, a comunidade e a sociedade em geral.

Encaminhá-­los para a reclusão, apenas, garantiria a higienização das ruas, ocultamento de questões de saúde pública, velamento de elementos do funcionamento familiar e negação de direitos elementares da pessoa já em sofrimento. É notável que esse tipo de tratamento agrava ou consolida as rupturas das relações, inclusive familiares, não tem resolutividade no enfrentamento do uso abusivo de álcool e outras drogas e aumenta exponencialmente o sofrimento psíquico, que por sua vez reforça os motivos do uso e abuso de tais substâncias.

É preciso que combatamos “formas de tratamento” que em discurso oferecem um “cuidado rápido e eficiente”. Primeiramente, não se trata de cuidado, mas de uma violência aos direitos da pessoa, pois é anulada sua volição, sua vontade, quando lhe é imposto intervenções, valores e crenças demandadas pelo outro; não pode ser rápido para ser efetivo e duradouro, já que se deve enfrentar uma série de aspectos, como os mencionados; a eficiência, diz respeito à produtividade. O usuário não é objeto e a saúde não é mercadoria. Não pode ser medida em termos de exigência de abstinência completa e imediata, pois as recaídas são inevitáveis, tal como mostram diversos estudos. Precisamos reconhecer diversas iniciativas do SENAD como o Observatório Brasileiro de Informações sobre drogas e o Portal Aberto, que garantem a democratização de informações e produção de conhecimentos e novas práticas referentes às políticas de álcool e outras drogas. Também, não podemos deixar de repudiarmos a defesa explícita do, agora, ministro, Osmar Terra, defensor de políticas de violência, silenciamento e segregação, tanto na questão de álcool e outras drogas, como referente a todas as populações vulnerabilizadas e excluíds socialmente, tal como opositor aos movimentos sociais que buscam a garantia dos direitos humanos, a distribuição de  riquezas e a luta pela igualdade e justiça. Esse senhor representa a camada mais nefasta da sociedade.

Devemos enfrentar os danos históricos e sociais que são refletidas na produção de sofrimento psíquico decorrente do uso abusivo de álcool e outras drogas como uma questão de saúde pública. Assim, nos manifestamos em defesa do cuidado a partir dos princípios da Reforma Psiquiátrica Antimanicomial, da Política de Redução de Danos, da afirmação dos direitos humanos e pelo fortalecimento do SUS.

#ManicômioNuncaMais

#PorUmaDemocraciaAntimanicomial

Não reconhecemos o Governo Golpista de Michel Temer!

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Sobre antimanicomialsp

A Frente Estadual Antimanicomial de São Paulo surgiu do processo de organização da IV Conferencia de Saúde Mental - Intersetorial etapa São Paulo. Onde diversas organização, movimentos, entidades e militantes se uniram e realizaram a Plenária Estadual de Saúde Mental (diante da não convocação por parte do Governo do Estado de São Paulo). A idéia da Frente surgiu dessa experiência de organização da IV Conferência e também diante da conjuntura de rearticulação do setor manicomial e de ataque as conquistas do Sistema Único de Saúde, que exige atividades unificadas entre os mais diversos movimentos e organizações antimanicomiais. Visando aglutinar forças para defender a Reforma Psiquiátrica Antimanicomial e o SUS.

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