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Cobertura de saúde mental no RJ é insuficiente

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Cobertura de saúde mental no RJ é insuficiente

Fonte: Informe ENSP

“O Rio de Janeiro ainda é o segundo maior parque manicomial do Brasil, apesar do processo de desinstitucionalização que vem sendo feito”. A afirmação foi feita pela professora do Instituto de Psiquiatria (Ipub/UFRJ) Paula Cerqueira durante a palestra Rede de Saúde Mental em foco: saberes e práticas na atenção aos usuários de álcool e outras drogas, tema da quarta mesa do IX Ciclo de Debates – Conversando sobre a Estratégia de Saúde da Família, ocorrida no dia 8/5. De acordo com a professora, não há uma rede voltada a essa área no Rio. “Numericamente, a quantidade de Centros de Atenção Psicossocial (Caps) não atende às necessidades da população, sobretudo na perspectiva de cuidado intensivo e extensivo. A cobertura é insuficiente”.

Segundo Paula, para haver uma rede, é preciso vários pontos de conexão no tratamento. “Eu trabalho na perspectiva de produção de redes vivas. Acho que as redes temáticas são importantes e precisam ser implantadas, mas são as redes vivas que vão operar a diferença, no encontro daquele que atende e daquele que pede o cuidado, fazendo uma conexão do território”, opinou.

Sobre as comunidades terapêuticas, Paula afirmou que esse não pode ser o único dispositivo a ser ofertado, devido sua baixa eficácia no tratamento. “Em São Bernardo do Campo, por exemplo, não se interna em unidades terapêuticas. Há uma rede de cuidados no âmbito da saúde. Existem unidades de acolhimento intensivo, os abrigamentos, enfim, uma série de dispositivos e não apenas um serviço. Só se enfrenta uma compulsão criando uma rede extensiva e intensiva de cuidado.”

A área de álcool e drogas é um reflexo dessa discussão que, para ela, é agravada em razão dos grandes eventos que convocam uma política de higienização. Na opinião da professora, tal discussão tem que ser abordada numa política intersetorial para ser, de fato, efetiva. De acordo com ela, é um equívoco achar que somente a saúde vai resolver esses problemas. “A droga não é o problema, mas sim o motivo para se chegar nela. Então não adianta eliminar a droga, mas sim tratar e entender a compulsão. Não se consegue fazer uma redução de danos sem dispositivos. A compulsão, por exemplo, pode ser enfrentada com a promoção da cultura e arte. As pessoas que mais têm conseguido efeitos nessas áres são os arteducadores.”

Paula explicou que, em em termos de política pública, a área de saúde mental é muito recente. Somente em 1995 surge uma Coordenação de Saúde Mental no município do Rio de Janeiro que vai se ocupar dos pacientes psicóticos graves, o que constitui o processo do núcleo fundamental da luta antimanicomial. “A partir desse momento, um grupo de pessoas vai para a Secretaria Municipal pensar em construir um programa municipal de saúde mental com base nos princípios da reforma psiquiátrica. Nessa rede municipal tínhamos equipamentos notadamente centrados nos dispositivos ambulatoriais e nos hospitais psiquiátricos, que não davam conta de produzir uma linha de cuidado extra-hospitalar como se sustenta os princípios da reforma psiquiátrica. Infelizmente, até hoje nós temos esse indicador”, explicou.

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