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Sobre o Prêmio “CARRANO” de Luta Antimanicomial e Direitos Humanos

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Fonte: Coletivo Gato Seco – Nos Telhados da Loucura

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SOBRE O PRÊMIO

Completam-se cinco anos que um dos maiores militantes da Luta Antimanicomial nos deixou, Austregésilo Carrano Bueno. dramaturgo e escritor, que se empenhou até o fim de sua vida pelo fim dos manicômios no Brasil.

Eleito representante dos usuários em congresso na cidade de Xerém-RJ, atuou muitos anos na Comissão Nacional de Reforma Psiquiátrica do Ministério da Saúde, chegando a receber, em 2003, uma homenagem das mãos do presidente da república Luís Inácio Lula da Silva, por seu total envolvimento na Reforma Psiquiátrica.

Além das torturas e sessões de eletrochoques sofridas nos tempos em que foi isolado do convívio social e confinado “em chiqueiros psiquiátricos”, como dizia, Carrano sofreu vários processos judiciais por sua militância, principalmente por parte dos familiares dos médicos responsáveis pelos “tratamentos” recebidos nas passagens pelos manicômios onde esteve internado, por quase três anos.

Após o confinamento escreveu o seu drama no livro “Canto dos Malditos” que originou o filme “Bicho de sete cabeças”, de 2001, primeiro longa-metragem dirigido por Lais Bodanzky, que revelou o jovem ator Rodrigo Santoro e se tornou o filme mais premiado do cinema brasileiro. A repercussão da obra no cinema e o livro intensificaram uma revolucionária mudança na Reforma Psiquiátrica no Brasil.

Carrano nunca desistiu de seus ideais e sonhos por uma sociedade mais humana que trata a todos sem diferenças, continuou militando até seus últimos dias no Movimento da Luta antimanicomial, mesmo com a saúde debilitada e condições financeiras precárias – morreu condenado a pagar 60 mil reais para os médicos do qual foi “cobaia humana”, recebendo 21 eletrochoques e outras violências – sobre isso ele falava: “Estou condenado a indenizar as famílias dos torturadores dos quais fui vítima”, mesmo nessas condições, no dia 18 de maio de 2008, participou do Dia Nacional de Luta Antimanicomial, Belo Horizonte, vindo a falecer nove dias depois.

O Prêmio é uma ação para que a sua voz não se cale e seu nome continue vivo não só no Movimento de Luta Antimanicomial, como nos direitos da humanidade em geral, criado em 2009, o Prêmio CARRANO de Luta Antimanicomial e Direitos Humanos tem como objetivo dar continuidade a sua luta por uma mudança nas condições de tratamento de pessoas em sofrimento mental, fazendo valer a Lei nº 10.216/2001 da reforma Psiquiátrica no Brasil, da qual Carrano foi um dos maiores defensores e crítico.

O troféu é entregue anualmente a 13 pessoas e instituições, que com sua arte e atitudes contribuem com os dois temas, denunciando, atuando com sua arte e manifestando sua indignação contra quaisquer violações dos Direitos Humanos, especialmente no que se refere às pessoas nas condições de sofrimento mental.

Em 2009 foi criado o coletivo Gato Seco – Nos telhados da Loucura, que tem o papel da organização do Prêmio.

O coletivo é formado por:

Edson Lima, coordenador do projeto O Autor na Praça;

Erton Moraes, escritor, compositor e músico do Movimento TrokaosLixo;

Lobão, poeta, escritor, integrante do Movimento 1daSul e Sarau do Cooperifa, grande amigo de Carrano;

Nádila Paiva, produtora cultural;  

Adriano “Mogli” Vieira, educador e coordenador da AEUSP;  

Paloma Kliss, escritora e produtora  do projeto Literatura Nômade;

Patrícia Villas-Bôas Valero, psicóloga e militante do Movimento Nacional de Luta Antimanicomial;

Tula Pilar, poeta;

Léo Dumont, o músico e compositor; e outros amigos de Carrano.

O grupo é aberto a pessoas e instituições interessadas em participar e colaborar com esta iniciativa.

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Sobre antimanicomialsp

A Frente Estadual Antimanicomial de São Paulo surgiu do processo de organização da IV Conferencia de Saúde Mental - Intersetorial etapa São Paulo. Onde diversas organização, movimentos, entidades e militantes se uniram e realizaram a Plenária Estadual de Saúde Mental (diante da não convocação por parte do Governo do Estado de São Paulo). A idéia da Frente surgiu dessa experiência de organização da IV Conferência e também diante da conjuntura de rearticulação do setor manicomial e de ataque as conquistas do Sistema Único de Saúde, que exige atividades unificadas entre os mais diversos movimentos e organizações antimanicomiais. Visando aglutinar forças para defender a Reforma Psiquiátrica Antimanicomial e o SUS.

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